quarta-feira, 25 de novembro de 2009



Estou com saudade de vocês.
Abraço,
Prof. Eduardo

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Como estudar a Bíblia


Olá pessoal,
Nas próximas duas EBD o Pb Paulo de Tarso me substituirá. Ele dará continuidade aos assuntos da nossa revista. Embora fisicamente ausente nesses domingos, estarei por aqui acompanhando-os com postagens referentes aos assuntos estudados. A próxima lição tem como título "Como estudar a Bíblia". Para complementar o material da revista, disponibilizo o texto abaixo.
Este texto foi extraido do livro "Do Texto À Paráfrase”,de Bryan Jay Bost e Álvaro César Pestana, publicado pela Editora Vida Cristã.
Abraços saudosos,
Eduardo

"INTRODUÇÃO AO ESTUDO BÍBLICO
(...)
O método histórico-crítico.

Iremos neste curso estudar o texto sagrado usando o método histórico-crítico!

O que chamamos de método histórico-crítico é o método de estudo e pesquisa bíblica que procura levar em conta o contexto histórico que envolve o texto, fazendo uma avaliação acurada (crítica) de todas as relações desta informação com o sentido do texto. Uma ênfase quanto ao sentido gramatical e histórico do relato bíblico é o alvo deste método. Realiza-se a tarefa de um historiador, que avalia um documento antigo com o alvo de compreendê-lo. Isto revela pouco sobre como vamos trabalhar, já que esta metodologia é largamente empregada por "teólogos" que não crêem na inspiração plena das Escrituras. Apesar do mau uso do método por alguns, queremos empregar o método histórico-crítico na exegese por acreditarmos que ele fornece o significado original do texto. Usaremos este método orientados pela fé que já temos na absoluta inspiração e autoridade das Escrituras. Também acreditamos ser a humildade a maior virtude de um exegeta.

É um método histórico porque leva em conta a época e a situação original em que o texto foi escrito. A Bíblia é a palavra de Deus dada através das palavras de pessoas históricas (Hb 1.1-2). Assim, o trabalho de entender a Bíblia é o trabalho de um historiador. A história é uma ferramenta de trabalho. O próprio texto bíblico no geral contém elemento histórico suficiente para dar uma idéia da situação original, dispensando-nos do uso de muito material estranho. E necessário ser prudente ao utilizar "ajudas" ex­ternas.

Dois elementos precisam ser levados em conta quanto tratamos da Palavra de Deus: sua particularidade histórica contrabalançada por sua validade eterna. A particularidade histórica diz respeito ao que estava acontecendo na situação original. Por exemplo, Paulo escreveu o livro de Gálatas para combater doutrinas judaizantes que se infiltravam na igreja. A relevância eterna leva em conta que mesmo em uma situação diferente, a mensagem de Gálatas tem importância para cada geração de cristãos.

Em último lugar, usaremos o método histórico na tentativa de entender cada texto da Bíblia na situação, pensamento e época da própria Bíblia.

Nosso método também é um método crítico porque requer o uso de nossas faculdades mentais em raciocínios, julgamentos, estudos e esforços. A eterna inteligência e bom senso de Deus estão refletidos no seu livro. É necessário que usemos a inteligência que ele nos deu para compreendê-lo. A palavra crítico tem geralmente uma coloração negativa. Não queremos usá-la desta forma. O método é crítico em avaliar os resultados obtidos e em pesá-los. Nunca deve tornar-se crítico contra a Bíblia.

O uso da razão deve ser subordinado à fé na revelação. Não podemos chegar a Deus com a razão; Deus é quem chega a nós com a revelação de sua razão, Jesus Cristo, o logos eterno (logos: palavra grega que pode significar razão).

Exegese e hermenêutica.

Nossa tarefa é dupla: Primeiro, descobrir o que o texto significava originalmente, esta tarefa é chamada exegese; em segundo lugar, devemos aprender a discernir esse mesmo significado na variedade de contextos novos ou diferentes dos nossos próprios dias, esta é a tarefa da hermenêutica. Em definições clássicas a hermenêutica abrange ambas as tarefas, mas em tratados recentes a tendência tem sido separar as duas.

Para nós, exegese é ler e explicar os textos em empatia (e simpatia) com os escritores bíblicos. O exegeta é primeiramente um historiador que analisa os documentos. Todavia, ele tem de ir além da análise impessoal: é necessário assumir a fé que o escritor possuía para entender seus escritos. A exegese é um trabalho literário-espiritual.

A hermenêutica é necessária para a exegese. Exegese é uma palavra que vem da língua grega, sendo composta da preposição EK (de) e da forma substantiva do verbo HEGEOMAI (ir, guiar, conduzir) e significa "conduzir para fora" o sentido original de um texto. Na exegese procuramos entrar no texto (EIS), e ficar nele (EN), para então sairmos dele (EK) tirando lições para nós. Hermenêutica é a síntese dos resultados da exegese, tornando-a relevante para o leitor, ou auditório.

Pressuposições.

Pressuposições são idéias, hipóteses ou fatos que aceitamos ou carregamos conosco antes de iniciar nossa análise de um texto. O bom exegeta procura libertar-se ao máximo deles para que a sua compreensão do texto não seja distorcida pela sua pré-compreensão. Um exemplo prático ajuda a ver a importância das pressuposições. Se um exegeta pressupõe que "milagres não podem acontecer", todo seu estudo dos evangelhos e de Atos vai

revelar ceticismo quanto aos fatos narrados e vai procurar explicá-los por meio de causas naturais, ignorância do povo, erro do escritor, etc. As pres­suposições vão guiar nossa capacidade de entender e explicar o texto.

Por outro lado, as pressuposições existem e sempre existirão. O que importa é a sua validade. O critério da validade de uma pressuposição é a sua base cristológica, que Jesus Cristo é o filho de Deus. Devemos ler a história do Novo Testamento com a pressuposição cristológica revelada pelos escritores. Esta é uma pressuposição básica para entender o Novo Testamento, e até mesmo o Velho, tomadas as devidas precauções. A pressuposição cristológica é válida para sempre.

Quando as nossas pressuposições são iguais às pressuposições dos escritores do Texto Sagrado, temos as melhores condições possíveis para entender o que eles estão falando e escrevendo. Não há um raciocínio em círculo aqui. A fé em Cristo, mantida pelos escritores do Novo Testamento, precedeu a obra escrita que produziram sob a influência do Espírito Santo. Logo, para que possamos acompanhar o pensamento desses homens, precisamos participar da fé que tiveram.

Ver o texto como o autor o viu é o nosso alvo. Buscando as pressuposições do autor, não entraremos em choque com ele. Encontrar as pres­suposições do escritor pode ser a chave para não introduzir nossas idéias no texto. Cristo é o princípio de unidade e da verdade na interpretação da Bíblia. (...)"

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Crepúsculo


“E então o leão se apaixona pela ovelha. Que ovelha idiota. Que Leão masoquista e doentio. Edward Cullen
Ao ler essa frase no livro crepúsculo, de Stephenie Meyer, me lembrei de uma linda profecia bíblica que está em Is 11.6 ...e o leão e a ovelha viverão juntos...
A frase do personagem Edward Cullen, refere-se a um amor impossível entre um vampiro e uma adolescente. Um amor sem futuro, por isso a ovelha é idiota e o leão, masoquista. Já a profecia bíblica refere-se a maior e mais linda história de amor já escrita: a que conta como um Leão (o de Judá) forte, corajoso e campeão se'apaixonou' por uma ovelha (igreja) frágil, medrosa e perdida. Um amor com futuro certo, cheio de esperança... inclusive a festa de bodas já está marcada... e o Leão (de judá) e a ovelha (agora forte, corajosa e vencedora) viverão felizes por toda a eternidade!
Abraços,
Eduardo.

terça-feira, 6 de outubro de 2009

Simbologia Bíblica





Olá meus prezados alunos!

Como estão passando a semana? Na Escola Bíblica do último domingo começamos a estudar os símbolos e tipos da Palavra de Deus. No final da aula passei uma tarefa para vocês pedindo que refletissem sobre a comparação entre a Palavra/Espada e Escudo/Fé empregada pelo Ap. Paulo na Carta aos Efésios. Por que essa comparação? O que o Apóstolo quis dizer com essas comparações? É possível identificar alguma relação entre esses dois tipos de armas no tocante ao que representam? Como se dá essa relação? Para responder a essas questões disse para vocês que o “caminho das pedras” passa pela ideia que o Ap Paulo tinha de soldado. Na cabeça dele naturalmente o paradigma de soldado só poderia ser um: o soldado romano. Observem bem as figuras da espada e do escudo, bem como suas características e procurem responder os questionamentos acima


A espada - gládio (em latim gladius) ou espada curta não era mais que uma espada melhorada da espada dos Celtas, aquando da conquista da Hispânia. Era uma espada de dois gumes, com empunhadura de madeira ou osso talhado, para permitir uma sujeição mais firme. Embainhava-se numa capa de madeira que podia estar sumptuosamente decorada. Durante centenas de anos foi a espada do exército Romano, e espalhou o terror pelos campos de batalha desde a Gália à Arábia. Com esta espada terminou a discussão em Roma, qual deveria ser a sua função (de arremesso ou de cortar). Ganhou o partido que defendia que a espada servia para arremessar, e assim o gládio foi adotado para espada do exército. Nas batalhas com os povos nórdicos, estes usavam enormes espadas, muito belas, mas no campo de batalha eram pouco práticas contra a leve e funcional gládio

O Escudo - Escudo de madeira forrado a couro com reforços metálicos

Forte abraço a todos e nos encontramos no Congresso.
Eduardo.

terça-feira, 29 de setembro de 2009

Sugestão de Leitura


Olá nobres alunos,
Em nossa última aula, ao falar sobre as influências sociais, econônicas e culturais a que os autores dos textos bíblicos estavam submetidos, citei como sugestão de leitura o "Novo Testamento Judaico", cujo texto deixa transparecer sua judaicidade originária e essencial. O texto foi traduzido para que o lêssemos como um judeu da palestina nos tempos de Jesus. O contexto cultural é muito importante para entendermos algumas metáforas na Bíblia. Abaixo tem um exemplo marcante disso em relação ao Sermão do Monte. Transcrevo, a seguir, uma parte da introdução, escrita pelo próprio autor, que nos dá uma idéia dessa obra tão peculiar.

"(...)A bem da verdade, o Novo Testamento completa o Tanakh [Antigo Testamento], as Escrituras hebraicas outorgadas por Deus ao povo judeu; de forma que o Novo Testamento sem o Antigo é tão impossível quanto o segundo pavimento de uma casa sem o primeiro, e o Antigo sem o Novo é como uma casa sem teto. Além do mais, muito do que está escrito no Novo Testamento é incompreensível à parte do contexto judaico. Eis aqui um exemplo, extraído de muitos outros.Yeshua [Jesus] disse leteralmente no Sermão do Monte: "Se o seu olho for mau, todo o seu corpo estará em trevas". O que é um "olho mau"? Alguém que desconheça o pano de fundo judaico poderia supor que Yeshua estivesse falando sobre algum tipo de encantamento. Todavia, em hebraico, possuir um 'ayin ra'ah, "olho mau", significa ser sovina; ao passo que ter um 'ayin tovah, "olho bom", equivale a ser generoso. Yeshua está simplesmente incentivando a generosidade e desestimulando a avareza. Esse entendimento combina muito bem com os versículos do contexto: "Onde estiver seu tesouro, aí também estará seu coração [...] você não pode ser escravo de Deus e do dinheiro". Contudo, a melhor demonstração do caráter judaico do Novo Testamento é também a prova mais convincente de sua veracidade, ou seja, o número de profecias do Tanakh - todas muitos séculos mais velhas que os acontecimentos de Natzeret. A probalibidade de que qualquer pessoa pudesse se encaixar em dezenas de condições proféticas por mero acaso é infinitesimal. (...)" (Grifo meu)
David H. Stern, O Novo Testamento Judaico, São Paulo, Editora Vida, 2007

Vocês podem adquirir no site da Editora Vida, ao preço de R$ 35,00 (http://www.editoravida.com.br/loja/product_info.php?products_id=507)

Abraços a todos,
Eduardo

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Planejamento Estratégico

Olá
Como vocês estão passando a semana?
Estou recebendo as respostas que traçam uma parte do perfil de vocês. Me chamou a atenção a questão de como vocês se imaginam daqui a 10 anos. Praticamente todos se vêem casados, profissionalmente realizados e financeiramente bem resolvidos. Isso é muito bom! Porém, sabemos que essas conquistas não caem do céu. É preciso muito esforço para alcançá-las, além de tomar as decisões corretas hoje para que vocês se encontrem realmente do jeito que se imaginam daqui a 10 anos. Essas decisões envolvem o que se chama de Planejamento Estratégico, ou seja, quais os rumos que você pretende dar a sua vida.
O vídeo abaixo é um belo exemplo de Panejamento Estratégico aplicado a nossa vida. Deem uma olhada e inspirem-se...

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Sugestão de leitura

Olá pessoal,
Na aula de ontem tivemos uma discussão muito interessante sobre a formação do Cânon da Bíblia. No tocante ao Cânon do Novo Testamento citei o livro "a Fraude do Código da Vinci". Segue abaixo a sinopse desse livro, que recomendo fortemente. O livro foi publicado no Brasil pela Editora Vida.
Dados do autor: Erwin W. Lutzer é pastor-titular da Moody Church em Chicago, EUA. É bacharel em Artes pela Winnipeg Bible College, mestre em Teologia pelo Dallas Theological Seminary, mestre em Artes pela Loyola University e doutor em Direito pela Simon Greenleaf School of Law.
A Fraude do Código Da Vinci
Será que as seguintes alegações têm algum fundamento?
• Jesus se casou com Maria Madalena, sua legítima sucessora e líder da igreja primitiva.
• Jesus nunca foi Deus. Trata-se de uma mentira inventada pelo imperador Constantino no Concílio de Nicéia.
• Os evangelhos de Mateus, Marcos, Lucas e João não ensinam a verdade sobre Jesus. A igreja teria escondido os verdadeiros evangelhos escritos pelas seitas gnósticas.
• Leonardo da Vinci manteve essas informações em suas pinturas mundialmente famosas.

Essas afirmações fazem do cristianismo o maior e mais bem engendrado embuste de todos os tempos. Será? Dan Brown, autor do eletrizante romance O código Da Vinci, alega que sua obra é baseada em fatos históricos. Milhões de pessoas têm acreditado nessas inverdades, crendo tratar-se de pesquisa segura e correta.

Neste livro, o eminente teólogo Erwin W. Lutzer examina as afirmações de Dan Brown e apresenta respostas claras e bem fundamentadas para esclarecer a confusão em torno da vida de Jesus e da fé cristã. De forma meticulosa e perspicaz, ele desmascara os mitos por trás dessas e de outras lendas, revelando a verdadeira história que existe sub-repticiamente nesse romance.

A fraude do código Da Vinci é uma defesa clara e contundente da historicidade do cristianismo e da pessoa de Jesus. É também um alerta para que aprendamos sempre a separar a verdade da mentira e a realidade da fantasia.

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Livros Apócrifos


Olá pessoal,

Conforme prometido, segue abaixo o texto que trata especificamente sobre os apócrifos. Acompanhem em detalhe as características de cada livro. Imprimam, leiam e levem para a próxima EBD para discussão. A figura ao lado é uma ilustração do Concílio de Trento, convocado pelo Papa Paulo III em 1545, que, dentre outras deliberações, "canonizou" os livros apócrifos.

Forte abraço e nos encontramos no Retirinho do JAECC

LIVROS APÓCRIFOS OU NÃO CANÔNICOS

1. A palavra Apócrifo , do grego apokrypha, escondido, nome usado pelos escritores eclesiásticos para determinar, 1) Assuntos secretos, ou misteriosos; 2) de origem ignorada, falsa ou espúria; 3) documentos não canônicos.

2. Os livros apócrifos do Antigo Testamento (A.T.): Estes não faziam parte do Cânon hebraico, mas todos eram mais ou menos aceitos pelos judeus de Alexandria que liam o grego, e pelos de outros lugares; e alguns são citados no Talmude. Esses livros, a exceção de 2 Esdras, Eclesiástico, Judite, Tobias, e 1 dos Macabeus, foram primeiramente escritos em grego, mas o seu conteúdo varia em diferentes coleções.

Eis os livros apócrifos pela sua ordem usual:

I (ou III) de Esdras: é simplesmente a forma grega de Ezra, e o livro narra o declínio e a queda do reino de Judá desde o reinado de Josias até à destruição de Jerusalém; o cativeiro de Babilônia, a volta dos exilado, e a parte que Esdras tomou na reorganização da política judaica. Em certos respeitos, amplia a narração bíblica, porém estas adições são de autoridade duvidosa. O historiador Josefo é o continuador de Esdras. Ignora-se o tempo em que foi escrito e quem foi o meu autor.

II (ou IV) de Esdras: Este livro tem estilo inteiramente diferente de 1º de Esdras. Não é propriamente uma história, mas sim um tratado religioso, muito no estilo dos profetas hebreus. O assunto central, compreendido nos caps. 3-14, tem como objetivo registrar as sete revelações de Esdras em Babilônia, algumas das quais tomaram a forma de visões: a mulher que chorava, 9.38, até 10.56; a águia e o leão, 11.1 até 12.39; o homem que se ergueu do mar, 13.1-56. O autor destes capítulos é desconhecido, mas evidentemente era judeu pelo afeto que mostra a seu povo. (A palavra Jesus, que se encontra no cap. 7.28, não está nas versões orientais.) A visão da águia, que é expressamente baseada na profecia de Daniel (2º Esdras 12.11), parece referir ao Império Romano, e a data de 88 A.D. até 117 A.D. é geralmente aceita. Data posterior ao ano 200 contraria as citações do v. 35 cap. 5 em grego por Clemente de Alexandria com o Prefácio: “As­sim diz o profeta Esdras.” Os primeiros dois e os últimos dois capítulos de 2º Esdras, 1 e 2, 15 e 16 são aumentos; não se encontram nas versões orientais, nem na maior parte dos manuscritos latinos. Pertencem a uma data posterior à tradução dos Setenta que já estava em circulação, porquanto os profetas menores já aparecem na ordem em que foram postos na versão grega, 2º Esdras, 1.39, 40. Os dois primeiros capítulos contêm abundantes reminiscências do Novo Testamento e justificam a rejeição de Israel e sua substituição pelos Gentios, 2º Esdras, 1.24,25,35-40; 2.10,11,34), e, portanto, foram escritos por um cristão, e, sem dúvida, por um judeu cristão.

Tobias: Este livro contém a narração da vida de certo Tobias de Neftali, homem piedoso, que tinha um filho de igual nome, O pai havia perdido a vista. O filho, tendo de ir a Rages na Média, para cobrar uma dívida, foi levado por um anjo a Ecbatana, onde fez um casamento romântico com uma viúva que, tendo-se casado sete ve­zes, ainda se conservava virgem. Os sete maridos haviam sido mortos por Asmodeu, o mau espírito nos dias de seu casamento. Tobias, porém, foi animado pelo anjo a tornar-se o oitavo marido da virgem-viúva, escapando à morte, com a queima de fígado de peixe, cuja fumaça afugentou o mau espírito. Voltando, curou a cegueira de seu pai esfregando-lhe os escurecidos olhos com o fel do peixe que já se tinha mostrado tão prodigioso. O livro de Tobias é manifestamente um conto moral e não uma história real. A data mais provável de sua publicação é 350 ou 250 a 200 A.C.

Judite: E a narrativa, com pretensões a história, do modo por que uma viúva judia, de temperamento masculino, se recomendou às boas graças de Holofernes, comandante-chefe do exército assírio, que sitiava Betúlia. Aproveitando-se de sua intimidade na tenda de Holofernes, tomou da espada e cortou-lhe a cabeça enquanto ele dormia. A narrativa está cheia de incorreções, de anacronismos e de absurdos geográficos. É mesmo para se duvidar que exista alguma cousa de verdade; talvez que o seu autor se tenha inspirado nas histórias de Jael e de Sisera, Jz 4.17-22. A primeira referência a este livro, encontra-se em uma epístola de Clemente de Roma, no fim do primeiro século. Porém o livro de Judite data de 175 a 100 A. C., isto é, 400 ou 600 anos depois dos fatos que pretende narrar. Dizer que naquele tempo Nabucodonosor reinava em Nínive em vez de Babilônia não parecia ser grande erro, se não fosse cometido por um contemporâneo do grande rei.

Ester: Acréscimo de capítulos que não se acham nem no hebreu, nem no caldaíco. O livro canônico de Ester termina com o décimo capítulo. A produção apócrifa acrescenta dez versículos a este capitulo e mais seis capítulos, 11-16. Na tradução dos Setenta, esta matéria suplementar é distribuída em sete porções pelo texto e não interrompe a história. Amplifica partes da narrativa da Escritura, sem fornecer novo fato de valor, e em alguns lugares contradiz a história como se contém no texto hebreu. A opinião geral é que o livro foi obra de um judeu egípcio que a escreveu no tempo de Ptolomeu. Filometer, 181-145 A.C.

Sabedoria de Salomão: Este livro é um tratado de Ética recomendando a sabedoria e a retidão, e condenando a Iniqüidade e a idolatria. As passagens salientam o pecado e a loucura da adoração das imagens, lembram as passagens que sobre o mesmo assunto se encontram nos Salmos e em Isaías (compare: Sabedoria 13.11-19, com Salmos 95; 135.15-18 e Isaias 40.19-25; 44.9-20). É digno de nota que o autor deste livro, referindo-se a incidentes históricos para ilustrar a sua doutrina, limita-se aos fatos recordados no Pentateuco. Ele escreve em nome de Salomão; diz que foi escolhido por Deus para rei do seu povo, e foi por ele dirigido a construir um templo e um altar, sendo o templo feito conforme o modelo do tabernáculo. Era homem genial e piedoso, caracterizando-se pela sua crença na imortalidade. Viveu entre 150 e 50 ou 120 e 80, A.C. Nunca foi formalmente citado, nem mesmo a ele se referem os escritores do Novo Testamento, porém, tanto a linguagem, como as correntes de pensamento do seu livro , encontram paralelos no Novo Testamento (Sab. 5.18-20; Ef 6.14-17; Sab. 7.26, com Hb 1.2-6 e Sab. 14.13-31 com Rm 1.19-32).

Eclesiástico: também denominado Sabedoria de Jesus, filho de Siraque. É obra comparativamente grande, contendo 51 capítulos. No capítulo primeiro, 1-21, louva-se grandemente o sumo sacerdote Simão, filho de Onias, provavelmente o mesmo Simão que viveu entre 370 - 300, A.C. O livro deveria ter sido escrito entre 290 ou 280 A.C., em língua hebraica. O seu autor, Jesus, filho de Siraque de Jerusalém, Eclus 1.27, era avô, ou, tomando a palavra em sentido mais lato, antecessor remoto do tradutor. A tradução foi feita no Egito no ano 38, quando Evergeto era rei. Há dois reis com este nome, Ptolonmeu III, entre 247 a 222 A.C., e Ptolomeu Fiscom, 169 a 165 e 146 a 117 A.C. O grande assunto da obra e a sabedoria. É valioso tratado de Ética. Há lugares que fazem lembrar os livros de Provérbios, Eclesiastes e porções do livro de Jó, das escrituras canônicas, e do livro apócrifo, Sabedoria de Salomão. Nas citações deste livro, usa-se a abreviatura Eclus, para não confundir com Ec abreviatura de Eclesiastes.

Baruque: Baruque era amigo do Jeremias. Os primeiros cinco capítulos do seu livro pertencem à sua autoria, enquanto que o sexto é intitulado “Epístola de Jeremias.” Depois da introdução, descrevendo a origem da obra, Baruque 1.1,14, abre-se o livro com três divisões, a saber:
1)
Confissão dos pecado. de Israel e orações, pedindo perdão a Deus, Baruque 1.15, até 3.8. Esta parte revela ter sido escrita em hebraico, como bem o indica a introdução, cap. 1:14. Foi escrita 300 anos A.C.
2)
Exortação a Israel para voltar à fonte da Sabedoria, 3.9 até 4.4.
3)
Animação e promessa de livramento, 4.5 até 5.9. Estas duas seções parece que foram escritas em grego, pela sua semelhança com a linguagem dos Setenta. Há dúvidas, quanto à semelhança entre o cap. 5 e o Salmo de Salomão, 9. Esta semelhança dá a entender que o cap. 5 foi baseado no salmo, e portanto, escrito depois do ano 70, A.D., ou então, que ambos os escritos são moldados pela versão dos Setenta. A epístola de Jeremias exorta ou judeus no exílio a evitarem a idolatria de Babilônia. Foi escrita 100 anos A.C.

Adição à História de Daniel:
O cântico dos três mancebos (jovens)
: Esta produção foi destinada a ser Intercalada no livro canônico de Daniel, entre caps. 3.23,24. É desconhecido o seu autor e ignorada a data de sua composição. Compare os versículo, 35-68 com o Salmo 148.
A história de Suzana: É também um acréscimo ao livro de Daniel, em que o seu autor mostra como o profeta, habilmente descobriu uma falsa acusação contra Suzana, mulher piedosa e casta. Ignora-se a data em que foi escrita e o nome de seu autor.
Bel e o dragão: Outra história introduzida no livro canônico de Daniel. O profeta mostra o modo por que os sacerdotes de Bel e suas famílias comiam as viandas oferecidas ao ídolo; e mata o dragão. Por este motivo, o profeta é lançado pela segunda vez na caverna dos leões. Ignora-se a data em que foi escrita e o nome do autor.

Oração de Manassés, rei de Judá quando esteve cativo em Babilônia. Compare, 2º Cr 33.12,13. Autor desconhecido. Data provável, 100 anos A. C.

Primeiro Livro dos Macabeus: E um tratado histórico de grande valor, em que se relatam 05 acontecimentos políticos e os atos de heroísmo da família levítica dos Macabeus durante a guerra da lndependência judaica, dois séculos A.C. O autor é desconhecido, mas evidentemente é judeu da Palestina. Há duas opiniões quanto à data em que foi escrito; uma dá 120 a 106 A.C., outra, com melhores fundamentos, entre 105 e 64 A.C. Foi traduzido do hebraico para o grego.

Segundo Livro dos Macabeus: É inquestionavelmente um epítome da grande obra de Jasom de Cirene; trata principalmente da história Judaica desde o reinado de Seleuco IV, até à morte de Nicanor, 175 e 161 A.C. É obra menos importante que o primeiro livro. O assunto é tratado com bastante fantasia em prejuízo de seu crédito, todavia, contém grande soma de verdade. O livro foi escrito depois do ano 125 A.C. e antes a tomada de Jerusalém, no ano 70 A.D.

Terceiro Livro dos Macabeus: Refere-se a acontecimentos anteriores à guerra da independência. O ponto central do livro e pretensão de Ptolomeu Filopater IV, que em 217 A.C. tentou penetrar nos Santo dos Santos, e a subseqüente perseguição contra os judeus de Alexandria. Foi escrito pouco antes, ou pouco depois da era cristã, data de 39, ou 40 A.D.

Quarto Livro dos Macabeus: É um tratado de moral advogando o império da vontade sobre as paixões e ilustrando a doutrina com exemplos tirados da história dos macabeus. Foi escrito depois do 2º Macabeus e antes da destruição de Jerusalém.

É, talvez, do 1º século d.C. Ainda que os livros apócrifos estejam compreendidos na versão dos Setenta, nenhuma citação certa se faz deles no Novo Testamento. É verdade que os Pais muitas vezes os citaram isoladamente, como se fossem Escritura Sagrada, mas, na argumentação, eles distinguiam os apócrifos dos livros canônicos. S. Jerônimo, em particular, no fim do 4º século, fez entre estes livros uma claríssima distinção. Para defender-se de ter limitado a sua tradução latina aos livros do Cânon hebraico, ele disse: “Qualquer livro além destes deve ser contado entre os apócrifos. Sto. Agostinho, porém (354-430 à.C.), que não sabia hebraico, juntava os apócrifos com os canônicos como para os diferençar dos livros heréticos. Infelizmente, prevaleceram as idéias deste escritor, e ficaram os livros apócrifos na edição oficial (a Vulgata) da Igreja de Roma. O Concilio de Trento, 1546, aceitou “todos os livros... com igual sentimento e reverência”, e anatematizou os que não os consideravam de igual modo. A Igreja Anglicana, pelo tempo da Reforma, nos seus trinta e nove artigos (1563 e 1571), seguiu precisamente a maneira de ver de S. Jerônimo, não julgando os apócrifos como livros das Santas Escrituras, mas aconselhando a sua leitura “para exemplo de vida e instrução de costumes”.

3. Livros Pseudo-epígrafos. Nenhum artigo sobre os livros apócrifos pode omitir estes inteiramente, porque de ano para ano está sendo mais compreendida a sua importância. Chamam-se Pseudo-epígrafos, porque se apresentam como escritos pelos santos do Antigo Testamento. Eles são amplamente apocalípticos; e representam esperanças e expectativas que não produziram boa influência no primitivo Cristianismo. Entre eles podem mencionar-se:

Livro de Enoque (etiópico), que é citado em Judas 14. Atribuem-se várias datas, pelos últi­mos dois séculos antes da era cristã.

Os Segredos de Enoque (eslavo), livro escrito por um judeu helenista, ortodoxo, na primeira metade do primeiro século d.C.

O Livro dos Jubileus (dos israelitas), ou o Pequeno Gênesis, tratando de particularidades do Gênesis duma forma imaginária e legendária, escrito por um fariseu entre os anos de 135 e 105 a.C.

Os Testamentos dos Doze Patriarcas: é este livro um alto modelo de ensino moral. Pensa-se que o original hebraico foi composto nos anos 109 a 107 a.C., e a tradução grega, em que a obra chegou até nós, foi feita antes de 50 d.C.

Os Oráculos Sibilinos, Livros III-V, descrições poéticas das condições passadas e futuras dos judeus; a parte mais antiga é colocada cerca do ano 140 a.C., sendo a porção mais moderna do ano 80 da nossa era, pouco mais ou menos.

Os Salmos de Salomão, entre 70 e 40 a.C.

As Odes de Salomão, cerca do ano 100 da nossa era, são, provavelmente, escritos cristãos.

O Apocalipse Siríaco de Baruque (2º Baruque), 60 a 100 a.C.

O Apocalipse grego de Baruque (3º Baruque), do 2º século, a.C.

A Assunção de Moisés, 7 a 30 d.C.

A Ascensão de Isaias, do primeiro ou do segundo século d.C.

4. Os Livros Apócrifos do Novo Testamento (N.T.): Sob este nome são algumas vezes reunidos vários escritos cristãos de primitiva data, que pretendem dar novas informações acerca de Jesus Cristo e Seus Apóstolos, ou novas instruções sobre a natureza do Cristianismo em nome dos primeiros cristãos. Entre os Evangelhos Apócrifos podem mencionar-se:

O Evangelho segundo os Hebreus (há fragmentos do segundo século);

O Evangelho segundo S. Tiaqo, tratando do nascimento de Maria e de Jesus (segundo século);

Os Atos de Pilatos.(Segundo século).

Os Atos de Paulo e Tecla (segundo século).

Os Atos de Pedro (terceiro século).

Epístola de Barnabé (fim do primeiro século).

Apocalipses, o de Pedro (segundo século).

Ainda que casualmente algum livro não canônico se ache apenso a manuscritos do N.T., esse fato é, contudo, tão raro que podemos dizer que, na realidade, nunca se tratou seriamente de incluir qualquer deles no Cânon.

Fonte:Dicionário Bíblico Universal

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Formação do Cânon Sagrado


Olá caríssimos alunos,
Em primeiro lugar espero que estejam tendo uma ótima semana. Na última EBD adotamos uma técnica diferente para ministrar a lição: o estudo dirigido. O que vocês acharam? Eu gostei muito do rendimento da turma. Algumas exposições me surpreenderam.
Com o intuito de complementar a lição da próxima aula, posto abaixo um texto complementar muito instrutivo sobre a formação do cânon bíblico. Imprimam e leiam com bastane atenção. Dentre outras coisas, o texto trata da questão dos livros apócrifos, mas o faz de uma maneira mais resumida, por isso, em próxima postagem, publicarei um texto versando exclusivamente sobre esses livros, que estão presente na Bíblia Católica, mas não se encontram na Bíblia Protestante.
Bom estudo!

COMO A BÍBLIA CHEGOU ATÉ NÓS

A questão de quais livros pertencem à Bíblia é chamada questão canônica. A palavra cânon significa régua, vara de medir, regra, e, em relação à Bíblia, refere-se à coleção de livros que passaram pelo teste de autenticidade e autoridade; significa ainda que esses livros são nossa regra de vida. Como foi formada esta coleção?

Os Testes de Canonicidade
Em primeiro lugar é importante lembrarmos que certos livros já eram canônicos antes de qualquer teste lhes ser aplicado. Isto é como dizer que alguns alunos são inteligentes antes mesmo de se lhes ministrar uma prova. Os testes apenas provam aquilo que intrinsecamente já existe. Do mesmo modo, nem a Igreja nem os concílios eclesiásticos jamais concederam canonicidade ou autoridade a qualquer livro; o livro era autêntico ou não no momento em que foi escrito. A Igreja ou seus concílios reconheceram certos livros como Palavra de Deus e, com o passar do tempo, aqueles assim reconhecidos foram colecionados para formar o que hoje chamamos de Bíblia.
Que testes a Igreja aplicou?
1) Havia o teste da autoridade do escritor. Em relação ao A.T., isto significava a autoridade do legislador, ou do profeta, ou do líder em Israel. No caso do N.T., o livro deveria ter sido escrito ou influenciado por uma apóstolo para ser reconhecido. Em outras palavras, deveria ter a assinatura ou aprovação de uma apóstolo. Pedro, por exemplo, apoiou a Marcos, e Paulo a Lucas.
2) Os próprios livros deveriam dar alguma prova intrínseca de seu caráter peculiar, inspirado e autorizado por Deus. Seu conteúdo deveria de demonstrar ao leitor como algo diferente de qualquer outro livro por comunicar a revelação de Deus.
3) O veredicto das igrejas quanto à natureza canônica dos livros era importante. Na verdade, houve uma surpreendente unanimidade entre as primeiras igrejas quanto aos livros que mereciam lugar entre os inspirados. Embora seja fato que alguns livro bíblicos tenha sido recusados ou questionados por alguma minoria, nenhum livro cuja autenticidade foi questionada por uma número grande de igrejas veio a ser aceito posteriormente como parte do cânon.

A Formação do Cânon
O cânon da Escritura estava-se formando, é claro, à medida que cada livro era escrito, e completou-se quando o último livro foi terminado. Quando falamos da “formação” do cânon estamos realmente falando do reconhecimento dos livros canônicos pela Igreja. Esse processo levou algum tempo. Alguns afirmam que todos os livros do A.T. já haviam sido colecionados e reconhecidos por Esdras, no quinto século AC. Referências nos escritos de Flávio Josefo (95 DC) e em 2 Esdras 14 (100 DC) indicam a extensão do cânon do A.T. como os 39 livros que hoje aceitamos. A discussão do chamado Sínodo de Jamnia (70-100 DC) parece ter partido deste cânon. Nosso Senhor delimitou a extensão dos livros canônicos do A.T. quando acusou os escribas de serem culpados da morte de todos os profetas que Deus enviara a Israel, de Abel a Zacarias (Lc 11.51). O relato da morte de Abel está, é claro, em Gênesis; o de Zacarias se acha em 2 Crônicas 24.20,21, que é o último livro na disposição da Bíblia hebraica (em lugar de nosso Malaquias). Para nós, é como se Jesus tivesse dito: “Sua culpa está registrada em toda a Bíblia - de Gênesis a Malaquias”. Ele não incluiu qualquer dos livros apócrifos que já existiam em Seu tempo e que continham relatos das mortes de outros mártires israelitas.
O primeiro concílio eclesiástico a reconhecer todos os 27 livros do N.T. foi o concílio de Cartago, em 397 DC. Alguns livros do N.T., individualmente, já haviam sido reconhecidos como canônicos muito antes disso (2Pe 3.16; 1Tm 5.18) e a maioria deles foi aceita como canônica no século posterior ao dos apóstolos (Hebreus, Tiago, 2 Pedro, 2 e 3 João e Judas foram debatidos por algum tempo). A seleção do cânon foi um processo que continuou até que cada livro provasse o seu valor, passando pelos testes de canonicidade.
Os doze livros apócrifos do A.T. jamais foram aceitos pelos judeus ou por nosso Senhor no mesmo nível de autoridade dos livros canônicos. Eles eram respeitados, mas não foram considerados como Escritura. A Septuaginta (versão grega do A.T. produzida entre o terceiro e o segundo século AC) incluiu os apócrifos com o A.T. canônico. Jerônimo (c. 340 - 420 DC), ao traduzir a Vulgata, distinguiu entre os livros canônicos e os eclesiásticos (que eram os apócrifos), e essa distinção acabou por conceder-lhe uma condição de canonicidade secundária. O Concílio de Trento (1548) reconheceu-os como canônicos, embora os reformadores tenham rejeitado tal decreto. Em algumas versões protestantes dos séculos XVI e XVII, os apócrifos foram colocados à parte.

O Texto de Que Dispomos É Confiável?
Os manuscritos originais do A.T. e suas primeiras cópias foram escritos em pergaminhos ou papiro, desde o tempo de Moisés (c. 1450 AC) até o tempo de Malaquias (400 AC). Até a sensacional descoberta dos Rolos do Mar Morto em 1947, não possuíamos cópias do A.T. anteriores a 895 DC. A razão de isto acontecer era a veneração quase supersticiosa que os judeus tinha pelo texto e que os levava a enterrar as cópias, à medida que ficavam gastas demais para uso regular. Na verdade, os massoretas (tradicionalistas), que acrescentaram os acentos e transcreveram a vocalização entre 600 e 950 DC, padronizando em geral o texto do A.T., engendraram maneiras sutis de preservar a exatidão das cópias que faziam. Verificavam cada cópia cuidadosamente, contanto a letra média de cada página, livro e divisão. Alguém já disse que qualquer coisa numerável era numerada. Quando os Rolos do Mar Morto ou Manuscrito do Mar Morto foram descobertos, trouxeram a lume um texto hebraico datada do segundo século AC de todos os livros do A.T. à exceção de Ester. Essa descoberta foi extremamente importante, pois forneceu um instrumento muito mais antigo para verificarmos a exatidão do Texto Massorético, que se provou extremamente exato.
Outros instrumentos antigos de verificação do texto hebraico incluem a Septuaginta (tradução grega preparada em meados do terceiro século AC), os targuns aramaicos (paráfrases e citações do A.T.), citações em autores cristãos da antiguidade, a tradução latina de Jerônimo (a Vulgata, c. 400 DC), feita diretamente do texto hebraico corrente em sua época. Todas essas fontes nos oferecem dados que asseguram um texto extremamente exato do A.T.
Mais de 5.000 manuscritos do N.T. existem ainda hoje, o que o torna mais bem documentado dos escritos antigos. O contraste é surpreendente.
Além de existirem muitas cópias do N.T., muitas delas pertencem a uma data bem próxima à dos originais. Há aproximadamente setenta e cinco fragmentos de papiro datados de 135 DC até o oitavo século, possuindo partes de 25 dos 27 livros, num total de 40% do texto. As muitas centenas de cópias feitas em pergaminho incluem o grande Códice Sinaítico (quarto século), o Códice Vaticano (também quarto século) e o Códice Alexandrino (quinto século). Além disso, há cerca de 2.000 lecionários (livretos de uso litúrgico que contêm porções das Escrituras), mais de 86.000 citações do N.T. nos escritos dos Pais da Igreja, antigas traduções latinas, siríaca e egípcia, datadas do terceiro século, e a versão latina de Jerônimo. Todos esses dados, mais o trabalho feito pelos estudiosos da paleografia, arqueologia e crítica textual, nos asseguram possuirmos um texto exato e fidedigno no N. Testamento.

Abreviações:

A.T. = Antigo Testamento
N.T. - Novo Testamento

Fonte: “A Bíblia Anotada”

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Veracidade da Bíblia


Olá caríssimos alunos!
Nesta semana estamos estudando os cinco fatos incontestáveis sobre a Bíblia. A fim de complementar o material da revista, posto abaixo um artigo defendendo a veracidade de alguns eventos narrados nas Escrituras Sagradas, a partir de descobertas arqueológicas. Leiam e levem para discussão na próxima EBD.

"Provas incontestaveis da veracidade da Bíblia

O maior, melhor e mais confiável documento de todos os tempos é a Bíblia. Suas afirmações são continuamente confirmadas, como mostra o artigo a seguir.

Novas escavações, achados arqueológicos, escritos antigos, descobertas surpreendentes e avanços no conhecimento científico confirmam o que a Bíblia diz. Um recente documentário da BBC comprovou que o êxodo dos israelitas do Egito foi real.

Os registros bíblicos poderiam estar certos

O relato bíblico da saída do povo de Israel do Egito pode ser comprovado cientificamente. Segundo um documentário da televisão britânica BBC, os resultados de pesquisas científicas e os achados e estudos de egiptólogos e arqueólogos desmentem a afirmação de que o povo de Israel jamais esteve no Egito. Contrariamente às teses de alguns teólogos, que afirmam que o livro de Êxodo só foi escrito entre o sétimo e o terceiro séculos antes de Cristo, os pesquisadores consideram prefeitamente possível que o próprio Moisés tenha relatado os fatos descritos em Êxodo - o trabalho escravo do povo hebreu no Egito, a divisão do Mar Vermelho e a peregrinação do povo pelo deserto do Sinai. Eles encontraram indícios de que hebreus radicados no Egito conheciam a escrita semita já no século 13 antes de Cristo. Moisés, que havia recebido uma educação muito abrangente na corte de Faraó, teria sido seu sábio de maior destaque. E isso teria dado a ele as condições para escrever o relato bíblico sobre a saída do Egito, conforme afirmou também um documentário do canal cultural franco-alemão ARTE.

Pragas bíblicas?

Segundo o documentário, algumas inscrições encontradas em palácios reais egípcios e em uma mina, bem como a descrição detalhada da construção da cidade de Ramsés, edificada por volta de 1220 a.C. no delta do Nilo, comprovariam que os hebreus realmente viveram no Egito no século 13 antes de Cristo. A cidade de Ramsés só existiu por dois séculos e depois caiu no esquecimento, portanto, o relato só poderia vir de uma testemunha ocular. Também as dez pragas mencionadas na Bíblia, que forçaram Faraó a libertar o povo de Israel da escravidão, não poderiam ser, conforme os pesquisadores, uma invenção de algum escritor que viveu em Jerusalém cinco séculos depois...

Moisés recebeu a lei no monte Karkom

Do mesmo modo, o mistério do monte Horebe, onde Moisés recebeu os Dez Mandamentos, parece que está começando a ser desvendado pela ciência. No monte Sinai, onde monges do cristianismo primitivo imaginavam ter ocorrido a revelação de Deus, os arqueólogos nunca encontraram qualquer vestígio da presença de 600.000 homens. Em contrapartida, porém, ao pé do monte Karkom, localizado na região fronteiriça egípcio-israelense, foram encontrados os restos de um grande acampamento, as ruínas de um altar e de doze colunas de pedra. Essa concordância com a descrição no livro de Êxodo (Êx 24.4) provaria, segundo citação dos cientistas na BBC, que o povo de Israel realmente esteve por um certo tempo no deserto". (Idea Spektrum, 8/2000)

Não há dúvida de que os relatos bíblicos são corretos. Lemos no Salmo 119.160: "As tuas palavras são em tudo verdade desde o princípio, e cada um dos teus justos juízos dura para sempre." Nosso Senhor Jesus confirmou a veracidade de toda a Palavra de Deus ao orar: "Santifica-os na verdade; a tua palavra é a verdade" (Jo 17.17). Nessa ocasião já existiam os escritos do Antigo Testamento, portanto, Jesus confirmou todo o Antigo Testamento, a partir do livro de Gênesis, como sendo a verdade divina.

No Egito, Israel tornou-se um grande povo, exatamente como Deus havia prometido a Abraão séculos antes (Gn 12.1-3). Quando Israel ainda nem existia como nação, Deus já disse a Abraão: "Sabe, com certeza, que a tua posteridade será peregrina em terra alheia, e será reduzida à escravidão, e será afligida por quatrocentos anos. Mas também eu julgarei a gente a que têm de sujeitar-se; e depois sairão com grandes riquezas" (Gn 15.13-14). Foi o que aconteceu com exatidão sob a liderança de Moisés alguns séculos mais tarde. Mas por que Israel foi conduzido para fora do Egito? Para tomar posse de uma terra que Deus lhe havia prometido, pois nessa terra deveria nascer como judeu o Salvador Jesus Cristo.

Hoje muitas pessoas não querem crer em Jesus e na Sua obra de salvação, por isso colocam em dúvida a veracidade das histórias bíblicas, pois gostariam de interpretá-las de outra maneira. Mas ninguém o conseguiu até hoje, pois continuamente são encontradas novas provas que confirmam a exatidão dos relatos bíblicos. Como poderia ser diferente, se o texto original da Bíblia foi inspirado pelo próprio Deus?

Muitas falsas doutrinas, ideologias e teorias têm sua origem em uma postura contrária a Deus. Karl Marx e Friedrich Engels, por exemplo, odiavam tudo que dizia respeito a Deus. Charles Darwin também rejeitava a Deus. Ele desenvolveu a teoria da evolução porque tinha se afastado conscientemente de Deus. Evidentemente, quando se faz isso, precisa-se buscar uma nova explicação para tudo o que existe visivelmente. Mas o pensamento lógico já nos diz que aquilo que nossos olhos vêem não pode ter surgido por si mesmo. Peter Moosleitner (que por muitos anos foi redator-chefe da popular revista científica alemã PM ) acertou em cheio ao afirmar: "Tomemos a explosão inicial, talvez há 16 bilhões de anos - ali reinavam condições que conseguiam reunir, num espaço do tamanho da ponta de uma agulha, tudo o que forma o Universo. Então, esse ponto se expandiu. Segundo essa concepção, temos duas alternativas: (1) Paramos de perguntar pelas origens do Universo. (2) Se existe algo capaz de colocar o Universo inteiro na ponta de uma agulha, como poderei chamá-lo, a não ser de Deus?"

Mas, na verdade Deus é infinitamente maior! Ele criou tudo a partir do nada, através de Sua Palavra, e isso não aconteceu há bilhões de anos, mas há cerca de 6000 anos atrás, em apenas seis dias. Hebreus 11.3 diz: "Pela fé, entendemos que foi o universo formado pela palavra de Deus, de maneira que o visível veio a existir das coisas que não aparecem." A Palavra de Deus não é apenas absoluta verdade e absolutamente poderosa, ela também salva por toda a eternidade, concede vida eterna, livra do juízo, e vence até a própria morte. Jesus Cristo diz: "Em verdade, em verdade vos digo: quem ouve a minha palavra e crê naquele que me enviou tem a vida eterna, não entra em juízo, mas passou da morte para a vida" (Jo 5.24)." ( Norbert Lieth - http://www.chamada.com.br )

abraços,
Eduardo

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

CONJAECC


Olá pessoal, estamos finalizando as incrições para o nosso I Congresso de Jovens e Adolescentes Evangélicos Congregacionais em Cataguases (I Conjaecc). Procure as secretárias Anne Caroline e Verônica e garanta já a sua vaga. Estamos crendo que esse congresso será uma fonte de avivamento para os jovens e adolescentes de nossa Associação Regional.
Parabéns ao Moisés pela arte com o tema do congresso (ao lado)
Abraços,
Eduardo

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Inspiração da Bíblia

Olá pessoal,
Na aula de domingo próximo estudaremos mais detalhadamente sobre a questão da inspiração das Escrituras Sagradas. É um assunto de suma importância, uma vez que está intimamente ligado à autoridade da Bíblia. Aqueles que já tiveram curiosidade de folear a revista verificaram que a lição é bastante densa, o que exigirá de vocês uma atenção especial.
Imagina se algum colega de trabalho ou da escola te questinasse o que significa dizer que a Bíblia é inspirada. Você saberia responder adequadamente? Para ajudá-los na formulação da resposta e complementando a lição dessa semana, segue, abaixo, um texto esclarecedor sobre o assunto.

"Quando as pessoas dizem que a Bíblia foi inspirada, estão se referindo ao fato de que Deus divinamente influenciou os autores humanos das Escrituras de modo tal que aquilo que escreveram foi a própria Palavra de Deus. No contexto das Escrituras, a palavra inspiração simplesmente significa “Divinamente inspirada”. Inspiração comunica a nós o fato da Bíblia verdadeiramente ser a Palavra de Deus, e faz com que a Bíblia seja única dentre todos os outros livros.

Mesmo havendo diferentes opiniões a respeito de até que ponto a Bíblia é inspirada, não pode haver dúvidas de que a própria Bíblia afirma que cada palavra, em cada parte sua, ela é inspirada por Deus (I Coríntios 2:12-13; II Timóteo 3:16-17). Esta visão das Escrituras é freqüentemente conhecida como inspiração “verbal e plenária”. Isto significa que a inspiração se estende às próprias palavras escolhidas (inspiração verbal), não somente aos conceitos e idéias; e que a inspiração se estende a todas as partes das Escrituras e todos os temas tratados nas Escrituras (inspiração plenária). Há algumas pessoas que acreditam que somente partes da Bíblia são inspiradas, ou somente os pensamentos ou conceitos que lidam com religião sejam inspirados, mas tais visões da inspiração não dão conta do que a própria Bíblia afirma ser. Total inspiração verbal e plenária é uma característica essencial da Palavra de Deus.

A extensão da inspiração pode ser vista claramente em II Timóteo 3:16-17: “Toda a Escritura é divinamente inspirada, e proveitosa para ensinar, para redargüir, para corrigir, para instruir em justiça; Para que o homem de Deus seja perfeito, e perfeitamente instruído para toda a boa obra.” Este verso nos diz que Deus inspirou toda a Escritura e que ela é proveitosa para nós. Não são somente algumas partes da Bíblia que lidam com doutrinas religiosas que são inspiradas, mas cada uma e todas as partes, desde Gênesis até Apocalipse, são a Palavra de Deus. Por terem sido inspiradas por Deus, as Escrituras são, então, autoridade no tocante a estabelecer doutrinas, e suficientes para ensinar ao homem como estar em um correto relacionamento com Deus, “instruir em justiça”. A Bíblia afirma ser não apenas inspirada por Deus, mas também ter a capacidade de nos transformar e nos fazer “completos”, totalmente equipados para toda boa obra.

Um outro verso que lida com a inspiração das Escrituras é II Pedro 1:21. Este verso nos diz que “Porque a profecia nunca foi produzida por vontade de homem algum, mas os homens santos de Deus falaram inspirados pelo Espírito Santo.” Este verso nos ajuda a compreender que apesar do homem ter escrito as Escrituras, as palavras que escreveram foram as próprias palavras de Deus. Apesar de ter usado homens com suas diferentes personalidades e estilos de escrita, Deus divinamente inspirou cada palavra que escreveram. O próprio Jesus confirmou a inspiração verbal e plenária das Escrituras quando disse: “Não cuideis que vim destruir a lei ou os profetas: não vim abrogar, mas cumprir. Porque em verdade vos digo que, até que o céu e a terra passem, nem um jota ou um til se omitirá da lei, sem que tudo seja cumprido” (Mateus 5:17-18). Nestes versos, Jesus reafirma a exatidão das Escrituras, que vai até ao menor detalhe e até ao menor sinal de pontuação: porque é a própria palavra de Deus.

Por serem as Escrituras a inspirada Palavra de Deus, podemos concluir que são também livres de erro e revestidas de autoridade. Uma correta visão de Deus leva que se chegue a uma correta visão de Sua Palavra. Por ser Deus todo poderoso, cheio de sabedoria e completamente perfeito, Sua Palavra, por sua própria natureza, terá as mesmas características. Os mesmos versos que estabelecem a inspiração das Escrituras também estabelecem que são tanto livres de erro quanto revestidas de autoridade. Sem dúvidas, a Bíblia é o que afirma ser: a inegável e autorizada Palavra de Deus para a humanidade." (http://www.gotquestions.org/Portugues/Biblia-inspirada.html)

Abraços

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Volta às Aulas

Olá pessoal,
Após o recesso de meio de ano voltamos às aulas. A primeira aula desse semestre foi especialmente edificante pra mim. Aprendi muito durante a preparação. Na ministração da aula citei alguns livros que utilizei como apoio. Pra aqueles que não anotaram, aí está:

Livro: Fator Melquizedeque: o testemunho de Deus nas Culturas através do mundo
Autor: Dom Richardson
Editora: Vida Nova

Livro: O Imaginário em as Crônicas de Nárnia
Autor: Glauco Magalhães Filho
Editora: Mundo Cristão

Livro: A Dança do Universo
Autor: Marcelo Glaiser
Editora: Companhia das Letras

Fica como sugestão de leitura para aqueles que querem se aprofundar nas questões relativas à Revelação de Deus. Boa leitura!

sexta-feira, 3 de julho de 2009

Curiosidade

Olá Pessoal,
Há algum tempo atrás circulou um e-mail informando que o meio extato da Bíblia seria o Salmo 118. Então, o Winglison resolveu checar se essa informação estaria correta mesmo, e após um exautivo trabalho de contagem de capítulos chegou à seguinte conclusão:
Há 1189 capítulos na Bíblia
594 até o Salmo 116
594 a partir do Salmo 118
o centro exato (em capítulos) é o Salmo 117
que só tem dois versículos (um pra cada metade)

Abraços,

Lição de domingo

Olá pessoal, como estão passando a semana?
Na segunda feira enviei para o e-mail daqueles que estão cadastrados na minha lista a lição que ministrarei no domingo. É muito importante que vcs levem para alula essa lição impressa. Peço ainda, por gentileza, àqueles que puderem, que imprimam duas cópias para serem compartilhadas com o restante da turma.
Um forte abraço a todos

segunda-feira, 29 de junho de 2009

Um semestre de muito aprendizado




Olá meus nobres alunos,

Nesse semestre que se finda tive o prazer de desfrutar da companhia de vocês aos domingos pela manhã. Não poderia deixar passar em branco uma data tão importante para mim, como a conclusão de nossa primeira revista. Mas, essa data só se tornou importante, porque vocês são importantes para mim. Esse bolinho simples e a singela decoração foram apenas uma forma de eu expressar o quanto tem sido legal estar com vocês.

Que Deus abençoe a cada um e que tenhamos um próximo semestre ainda mais produtivo e abençoado!
A todos um início de semana com tudo de mais excelente!

Eduardo

segunda-feira, 15 de junho de 2009

Everything by "Conga"

Olá pessoal, boa noite!
Gente, esse negócio de teatro é difícil demais pra mim. É bem mais tranquilo ministrar uma EBD (rsrsrs). Realmente tiro o meu chapeu pra esse pessoal do teatro do JAECC. Eles são feras!
Olhem aí o professor se aventurando no palco da praça do BNH no último sábado.
Forte abraço pra vcs!
Eduardo
Olá caros alunos,
A lição dessa semana tem como título Política ou Politicagem. A fim de complementar o estudo da Revista, segue abaixo um texto que trata da participação dos evangélicos na política brasileira. O Artigo é de Robison Cavalcante, que é autor de, entre outros, Cristianismo e Política - teoria e prática histórica. Esse autor é referência quando se trata de estudos sobre política e religião.
Boa leitura e ótimo início de semana!
P.S. Diego, gostei do seu comentário e estou aguardando a sua crônica.

"A participação dos evangélicos na política brasileira

Há quarenta anos vivíamos o fim de um paradigma: a hegemonia das igrejas históricas no protestantismo no Brasil, e um “destino manifesto” civilizatório (protestantismo = democracia + progresso). O Estado Laico, os colégios inovadores, a ética do trabalho e do abandono dos vícios caminhavam juntos nessa construção, com os nossos intelectuais orgânicos e a ação aglutinadora da Confederação Evangélica. A “derrota dos comunistas”, em março de 1964, fora lida como resultado do Dia Nacional de Jejum e Oração liderado por setores “renovados” em 15 de novembro de 1963, que também abandonaram o seu passado e fizeram as pazes com o autoritarismo, cooptados pelo regime. Mais do que o adesismo de uma minoria de inocentes úteis, áulicos ou oportunistas, a ideologia que vivia a triunfar é a da alienação: “política não é lugar para crente”. A ideologia do “destino manifesto” civilizatório foi esquecida, desconhecida pelas novas gerações. Concentramo-nos em debates sobre o milênio e a tribulação, pois, quando não se atua neste mundo, se pensa no “outro” mundo. A construção de um pensamento evangélico latino-americano foi deixada de lado, pela importação de correntes teóricas e dos setores mais conservadores dos Estados Unidos. O evangelicalismo das missões viu triunfar o fundamentalismo.

Nesse regime militar, nova geração (a maioria de igrejas históricas) retomaria a reflexão e a ação, dentro dos espaços da pastoral estudantil, das agências de serviço, das escolas de pensamento, em ministérios não-denominacionais. A Teologia da Missão Integral foi uma lufada de ar fresco em um contexto estéril, preocupado com a “salvação das almas”. Desse espaço sairiam os criadores de movimentos apontando para a responsabilidade social e política dos cristãos, em campanhas como “Evangélicos pela Constituinte”, “Diretas Já”, eleições presidenciais de 1989, “Fora Collor”, e na proposta do MEP; do setor pentecostal -- que não tinha passado de engajamento -- se desenvolveu a noção de “candidaturas oficiais”, sob o lema “Irmão vota em irmão!”. Retornamos à ordem constitucional, as eleições se tornaram uma rotina, a imprensa e a cátedra são livres, bem como a sociedade civil. As regiões continuam desiguais; não foi fechado o fosso que separa os privilegiados dos apenas incluídos, dos marginalizados e excluídos.

A hegemonia pentecostal/renovada foi breve, atropelada pelo “neo-pós-isso-pseudo-pentecostalismo”, com a teologia da prosperidade, individualista, com os “filhos do Rei” confundindo consumismo com bênçãos. Pode-se falar em um crescimento quantitativo (e com sinais de mobilidade social ascendente) sem correspondência com a dimensão qualitativa, inclusive no espaço público. O “crescimento” não implicou a formação de cidadãos mais éticos e responsáveis, nem a redução dos males nacionais.

Para o evangélico médio, política é sinônimo de partidos e eleições. Daí o “avivamento” cíclico da profusão de candidaturas, desde as “oficiais” às resultantes de “profecias”, de níveis aquém do desejado e de resultados eleitorais cada vez mais escassos. Se o crente comum não recebe ensino sobre como fazer diferença na vida em sociedade, aqueles que ocupam posições nos poderes do Estado são, em geral, carentes de uma proposta diferenciadora ou de uma ética superior. Com a crise das ideologias e a ausência de nitidez dos partidos políticos, os evangélicos, quando se filiam, o fazem já especialmente naqueles menos nítidos, pois sua atuação é individualista e corporativa (em defesa do bem particular das igrejas, e não do bem comum da sociedade). Permanece a ausência de estudos bíblicos sobre ética social, história do pensamento cristão ou história política da igreja. Não havendo o conhecimento acumulado necessário para a reflexão sobre a conjuntura atual, além da não utilização das ferramentas das Ciências Humanas, a ação social (quando ocorre) raramente ultrapassa a dimensão do assistencialismo, ou da instrumentação para o “crescimento da Igreja”, sem relação com um conceito mais amplo de missão ou com uma noção mais bíblica do Reino de Deus. Como segmento expressivo, em disputa de hegemonia entre pentecostalismo/renovacionismo e o neo/pós/isso/pseudo-pentecostalismo, há de se reconhecer que o abandono dos vícios, a ética do trabalho, a valorização da família e o associativismo eclesiástico têm devolvido dignidade e qualidade de vida a milhares de brasileiros. O legalismo-moralismo da santidade passiva, a eclesiologia-gueto e a ausência de uma docência de um discipulado encarnado, não têm levado renascidos a ser o sal e a luz. A História nos tem mudado, mas não sabemos quanto temos mudado a História. A pauta para nosso testemunho cidadão, não decorre apenas da nossa História, da nossa cultura, e da nossa conjuntura, mas de um mundo exterior globalizado, onde não somente o Islã e o esotérico, mas o secularismo militante nos ameaça de fora, enquanto o liberalismo teológico vai abrindo as portas para os mesmos do lado de dentro.

Como reagiremos a esses novos desafios?"

Robinson Cavalcanti

terça-feira, 9 de junho de 2009

Aliança da globalização com a religião (texto complementar)

Olá pessoal, como o nosso próximo tema será globalização, estou postando um texto muito interessante publicado na revista ultimato no ano de 2004. Leiam com atenção, pois discutiremos alguns pontos dele na EBD.
Forte abraço,
Eduardo

A aliança da globalização com a religião


Passados alguns anos, é muito fácil descobrir os erros da igreja — as Cruzadas, a Inquisição, o casamento da evangelização com a colonização, o silêncio em certas situações clamorosas, como a escravidão, o Holocausto etc.

Precisamos criar um esquema que nos obrigue a enxergar esses escândalos enquanto eles estão acontecendo para abominá-los agora, e não depois. Para tanto é preciso ouvir a voz dos profetas tanto de dentro como de fora da igreja. Se o Senhor abriu a boca da jumenta para falar a Balaão (Nm 22.28), não poderia falar-nos hoje pela boca de um historiador, sociólogo, antropólogo, cientista político, psicanalista?

Talvez fosse bom ouvir o diagnóstico do cientista político David Callahan, autor do livro A Cultura da Trapaça — por que mais americanos estão fazendo a coisa errada para passar na frente. Em entrevista à Folha de São Paulo, Callahan explica que a grande discrepância que há entre as superestrelas e as pessoas comuns leva todo mundo a fazer “o que for preciso, até trapacear, para chegar ao topo”. Por essa razão, metade dos currículos enviados por candidatos a empregos contém mentiras, 80% dos universitários americanos mais brilhantes admitem ter colado e, a cada ano, empresas americanas perdem cerca de 600 bilhões de dólares em furtos cometidos por seus funcionários.

Essa corrida a qualquer preço ao topo estaria poupando a igreja? Nem agora nem antes. Se no primeiro livro da história eclesiástica, Simão, o Mago, teve a ousadia de oferecer dinheiro a Filipe para ter o poder de batizar com o Espírito Santo aqueles sobre os quais impusesse as mãos (At 8.19), por que hoje não se brincaria com a terceira pessoa da Trindade?

Outra voz de fora que precisa ser ouvida é a da psicanalista Maria Rita Kehl: “A religiosidade pós-moderna é uma espécie de religiosidade de resultados, que invoca as forças celestes para garantir as ambições terrenas dos fiéis. Jesus, que deu sua vida para trazer uma nova palavra aos homens, hoje é invocado como uma espécie de fiador de projetos de ascensão social de suas ovelhas e sobretudo de muitos pastores e pastoras oportunistas.”

Na Conferência sobre o Cristianismo na América Latina e no Caribe, realizada em junho de 2003, na Faculdade Batista e na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, o frei Carlos Josaphat, doutor em teologia, denunciou: “Há muito ‘religiosismo’ no mundo, mas nunca houve tanta falta de sentido de Deus”. E continuou: “Há hoje uma religião de objetos, de terapia barata, de utilitarismo, de comércio com Deus. Aí a globalização faz aliança com a religião”.

Nessa incontida corrida para chegar ao topo, na qual pensamos estar as superestrelas, “há pessoas capazes de vender a alma ao Diabo por um minuto de celebridade”, como afirma Leonardo Boff!

segunda-feira, 8 de junho de 2009


Boa tarde caros alunos!!

Esse é o nosso blog. Criei com o objetivo de termos um canal aberto para compartilhar com vcs informações sobre nossa classe da EBD. Fiquem atentos, pois procuraremos sempre postar algo que venha complementar nossas aulas, como texto adicionais, reflexões, infomações interessantes, etc, para que nossas aulas sejam mais dinâmincas e estimulantes. Sempre que possível, publicarei aqui as minhas reflexões nas Leituras diárias da revista. Pra começar acho que não teriam uma maneira melhor jeito do que essa: com a foto da turma. Todos ficaram muito bem, diga-se de passagem.

Um início de semana com tudo de mais excelente para cada um de vcs!

Forte abraço!