terça-feira, 9 de junho de 2009

Aliança da globalização com a religião (texto complementar)

Olá pessoal, como o nosso próximo tema será globalização, estou postando um texto muito interessante publicado na revista ultimato no ano de 2004. Leiam com atenção, pois discutiremos alguns pontos dele na EBD.
Forte abraço,
Eduardo

A aliança da globalização com a religião


Passados alguns anos, é muito fácil descobrir os erros da igreja — as Cruzadas, a Inquisição, o casamento da evangelização com a colonização, o silêncio em certas situações clamorosas, como a escravidão, o Holocausto etc.

Precisamos criar um esquema que nos obrigue a enxergar esses escândalos enquanto eles estão acontecendo para abominá-los agora, e não depois. Para tanto é preciso ouvir a voz dos profetas tanto de dentro como de fora da igreja. Se o Senhor abriu a boca da jumenta para falar a Balaão (Nm 22.28), não poderia falar-nos hoje pela boca de um historiador, sociólogo, antropólogo, cientista político, psicanalista?

Talvez fosse bom ouvir o diagnóstico do cientista político David Callahan, autor do livro A Cultura da Trapaça — por que mais americanos estão fazendo a coisa errada para passar na frente. Em entrevista à Folha de São Paulo, Callahan explica que a grande discrepância que há entre as superestrelas e as pessoas comuns leva todo mundo a fazer “o que for preciso, até trapacear, para chegar ao topo”. Por essa razão, metade dos currículos enviados por candidatos a empregos contém mentiras, 80% dos universitários americanos mais brilhantes admitem ter colado e, a cada ano, empresas americanas perdem cerca de 600 bilhões de dólares em furtos cometidos por seus funcionários.

Essa corrida a qualquer preço ao topo estaria poupando a igreja? Nem agora nem antes. Se no primeiro livro da história eclesiástica, Simão, o Mago, teve a ousadia de oferecer dinheiro a Filipe para ter o poder de batizar com o Espírito Santo aqueles sobre os quais impusesse as mãos (At 8.19), por que hoje não se brincaria com a terceira pessoa da Trindade?

Outra voz de fora que precisa ser ouvida é a da psicanalista Maria Rita Kehl: “A religiosidade pós-moderna é uma espécie de religiosidade de resultados, que invoca as forças celestes para garantir as ambições terrenas dos fiéis. Jesus, que deu sua vida para trazer uma nova palavra aos homens, hoje é invocado como uma espécie de fiador de projetos de ascensão social de suas ovelhas e sobretudo de muitos pastores e pastoras oportunistas.”

Na Conferência sobre o Cristianismo na América Latina e no Caribe, realizada em junho de 2003, na Faculdade Batista e na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, o frei Carlos Josaphat, doutor em teologia, denunciou: “Há muito ‘religiosismo’ no mundo, mas nunca houve tanta falta de sentido de Deus”. E continuou: “Há hoje uma religião de objetos, de terapia barata, de utilitarismo, de comércio com Deus. Aí a globalização faz aliança com a religião”.

Nessa incontida corrida para chegar ao topo, na qual pensamos estar as superestrelas, “há pessoas capazes de vender a alma ao Diabo por um minuto de celebridade”, como afirma Leonardo Boff!

2 comentários:

  1. Parabéns professor!
    O blog tá ótimo!!!
    Que Deus continue te abençoando!
    Um abraço a todos "Herdeiros da promessa"!
    rsrs...
    Anne Caroline

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  2. Onde estão os profetas desse tempo !!?
    Como servos do Senhor que vivem segundo a Sua palavra não podemos nos conformar com este século (Rm 12:2), e em contrapartida à essa globalização, que busca um evangelho de 'melhora', adaptado aos valores seculares, precisamos confrontar essa falta de referência na qual o mundo e até a igreja se encotram nos pautando na Palavra de Deus e na pregação do envangelho de arrependimento.
    Que Deus nos abençoe nesse compromisso.
    Diego

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